Diário Virtual

sábado, 12 de novembro de 2011

Quebrando um tabu


Como eles vão chorar se não há quem queira colher as suas lágrimas?
Como vão usar suas palavras para dizer o que sentem se não há quem os queira ouvir?
Como pedirão ajuda se não há com quem possam contar?
Pessoas egoístas ou não?
Quem vai lhes preencher a dor de estarem se sentindo sozinhos entre milhares de pessoas?
Quem os poderá ouvir gritando e gemendo de dor dentro de um quarto escuro?
Quem poderá parar a morte dentro de suas almas?
Pessoas loucas ou não?
Até quando fingiremos que nada acontece a nossa volta enquanto pessoas estão morrendo?
Até quando faremos de conta que tudo está bem quando não está?
Até quando ignoraremos às pessoas que sofrem sozinhas por não conseguirem pedir ajuda?
Pessoas solitárias ou não?
Ninguém sabe ao certo o que se passa, mas todos sabem que existe algo que mata por dentro...
Ninguém ouve os sons de um grito numa tarde de domingo, mas todos sabem que algo acontece...
Ninguém entende seus pensamentos tristes, olhares vagos e dores na alma, mas todos sabem que é real...
Pessoas cansadas de viverem em uma sociedade que os mata aos poucos sem nada fazerem...
Pessoas entristecidas pelo medo de viver em uma sociedade hipócrita que só olha pra si mesma...
Pessoas que se matam não porque querem morrer, mas porque não suportam mais seus conflitos interiores...
A nossa sociedade precisa quebrar esse tabu de que solidão é frescura.
A nossa sociedade precisa amar mais e dedicar-se a cuidar mais das pessoas a sua volta.
A nossa sociedade necessita se remexer com urgência e atentar-se para o que de fato existe e é real.

Daniela Gomes de Almeida

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